27.3.09
Aos que gostam do mar
24.3.09
Porque
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
10.3.09
mais uma dica
No dia 25, 4a. feira, no Teatro Palácio das Artes, às 21h, eu a banda encontraremos esse público fantástico que é o de BH. Já falei, que custa falar de novo? Minas é a reserva brasileira de cortesia, de delicadeza. Sérgio Buarque ampliava o sentido do substant. cordialidade, Minas retoma-o, devolve-o à condição de convivência brandamente afetuosa. Dá pra entender ouvindo Fernanda Takai entrar com aquela voz argentina -- falo de prata, o metal, ói lá! -- em "Brazil, Capital Buenos Aires". Minas está ali.
Já parei tanto, Daniel (Maia) está me esperando, volto pra lá agora, ao trabalho. Sabe, pareço puritano mordido por cobra, de tanto que gosto de trabalhar.
Abraços, meus muito caros.
Tom Zé "
no blog dele
9.3.09
Hitchcock na Casa do Baile
"Casa do Baile abre as portas para três clássicos de Alfred Hitchcock |
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O Programa imperdível está no site da Prefeitura de Belo Horizonte Publicado em 09/03/2009 19:38:18 |
blindagens
(...)
O homem blindado é alérgico ao lugar porque ocupar o corpo, praticar cidade (De Certeau, 2000), pode significar criar conexões, experimentar intensidades, perder-se, estar aberto à visitação dos afetos."
Glória Diógenes, em seu livro Itinerários de Corpos Juvenis: o tatame, o jogo e o baile.
7.3.09
meu problema é dipiano
Fui detido (para averiguações)
Porque tem o convidado e o intimado
Então eles riscam o convidado e você fica sendo intimado
... intimidado
intimidado a comparecer, não é?
Mas eu falei logo com o general e com o delegado
esclareci que eu não era comunista, era pianista
e que eu gostava muito de ar refrigerado, de Wisky e a carceragem não seria rsrs ideal
(um reporter): e nem teria piano lá
e Tom: rs sim
meu problema é dipiano.
rsrs
é o édipo
e é a mãe, sempre, né?"
Tom Jobim, no Roda Viva
6.3.09
Nesse salão de tristeza onde as outras penteiam mágoas
Deixo que as águas invadam meu rosto
Gosto de me ver chorar
Finjo que estão me vendo
Eu preciso me mostrar
Bonita
Pra que os olhos do meu bem
Não olhem mais ninguém
Quando eu me revelar
Da forma mais bonita
Pra saber como levar todos
Os desejos que ele tem
Ao me ver passar
Bonita
Hoje eu arrasei
Na casa de espelhos
Espalho os meus rostos
E finjo que finjo que finjo
Que não sei"
A mais bonita - Chico Buarque
Reparar outra vez
Numa conversa, ontem, com Luis Vázquez, amigo dos mais chegados e curador dos meus achaques, falámos do filme de Fernando Meirelles, agora estreado em Madrid, mas a que não pudemos assistir, Pilar e eu, como tencionávamos, porque um súbito resfriamento me obrigou a recolher à cama, ou a guardar o leito, como elegantemente se dizia em tempos não muito distantes. A conversa tinha começado por girar à volta das reacções do público durante a exibição e no final dela, altamente positivas segundo Luis e outras testemunhas fidedignas e merecedoras de todo o crédito que nos fizeram chegar as suas impressões. Passámos depois, naturalmente, a falar do livro e Luis pediu-me que examinássemos a epígrafe que o abre (“Se podes olhar, vê, se podes ver, repara”) porque, em sua opinião, a acção de ver é prevalecente em relação à acção de olhar e, portanto, a referência a esta poderia ser omitida sem prejuízo do sentido da frase. Não pude deixar de lhe dar razão, mas entendi que deveria haver outras razões a considerar, por exemplo, o facto de o processo da visão passar por três tempos, consequentes mas de alguma maneira autónomos, que se podem traduzir assim: pode-se olhar e não ver, pode-se ver e não reparar, consoante o grau de atenção que pusermos em cada uma destas acções. É conhecida a reacção da pessoa que, tendo consultado o seu relógio de pulso, torna a consultá-lo se, nesse mesmo momento, alguém lhe perguntar as horas. Foi então que se fez luz na minha cabeça sobre a origem primeira da famosa epígrafe. Quando eu era pequeno, a palavra reparar, supondo que já a conhecesse, não seria para mim um objecto de primeira necessidade até que um dia um tio meu (creio ter sido aquele Francisco Dinis de quem falei em As pequenas memórias) me chamou a atenção para uma certa maneira de olhar dos touros que quase sempre, comprovei-o depois, é acompanhada por uma certa maneira de erguer a cabeça. Meu tio dizia: “Ele olhou para ti, quando olhou para ti, viu-te, e agora é diferente, é outra coisa, está a reparar”. Foi isto o que contei ao Luis, que imediatamente me deu razão, não tanto, suponho, porque eu o tivesse convencido, mas porque a memória o fez recordar uma situação semelhante. Também um touro que o fitava, também aquele jeito de cabeça, também aquele olhar que não era simplesmente ver, mas reparar. Estávamos finalmente de acordo."