“A família, a escola, os outros, todos elegem em nós uma centelha promissora, um território em que poderemos brilhar. Uns nasceram para cantar, outros para dançar, outros nasceram simplesmente para serem outros. Eu nasci para estar calado. Minha única vocação é o silêncio. Foi meu pai que me explicou: tenho inclinação para não falar, um talento para apurar silêncios. Escrevo bem, silêncios no plural. Sim, porque não há um único silêncio.E todo o silêncio é música em estado de gravidez.Quando me viam, parado e recatado, no meu invisível recanto, eu não estava pasmado. Estava desempenhado, de alma e corpo ocupados: tecia os delicados fios com que se fabrica a quietude. Eu era um afinador de silêncios.”
Mia Couto
Nossa, Mia Couto é bonito demais.
Uma parte deste trecho achei neste site que me interessou
a outra remendei com a companhia das letras
enquanto não adquiro meu exemplar. Hoje me dou o segundo presente de aniversário, será este: "Antes de nascer o mundo"
:)
Um comentário:
Joannita,
que belo fazer aniversário com este estado elevado de alma. Coisas cultivadas nos interiores dos silêncios. Compartilhar silêncios é privilégio.
beijos, Ana
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