6.7.09

"II
Este é tempo de divisas,
tempo de gente cortada.
De mãos viajando sem braços,
obscenos gestos avulsos.

Mudou-se a rua da infância.
E o vestido vermelho
vermelho
cobre a nudez do amor,
ao relento, no vale.

Símbolos obscuros se multiplicam.
Guerra, verdade, flores?
Dos laboratórios platônicos mobilizados
vem um sopro que cresta as faces
e dissipa, na praia, as palavras.

A escuridão estende-se mas não elimina
o sucedâneo da estrela nas mãos.
Certas partes de nós como brilham! São unhas,
anéis, pérolas, cigarros, lanternas,
são partes mais íntimas,
a pulsação, o ofego,
e o ar da noite é o estritamente necessário
para continuar, e continuamos"
Drummond

Drummond me faz chorar. Desta vez foi implacável.
Ana, amiga querida que tá de mudança me enviou há pouco esta poesia que eu não conhecia. Parece que o escrito tem perseguido a moça. ser perseguida por drummond é de um luxo que só pode ter como efeito o retorno à causa. É do reencontro que se trata.


... falando em choro, hoje escutei falar uma das pessoas que mais me agrada escutar. e ele é um juiz. da vara da infância e da juventude.
Além de dizer coisas do tipo 'cada caso aponta sua propria solução', fazer questões como 'então o pai vai ter que recorrer ao juiz para ter seu filho em casa as 22h? estamos em uma crise de autoridade extrema'; fazer perguntas do tipo 'que efeito social a intervenção socioeducativa produz?' , além disso ele ainda disse que já houve casos que ele recebeu em audiência que o fizeram chorar.
Chorar uma lagrima calada.

:)

2 comentários:

Dri disse...

lindo. demais. adoro aqui, adoro você.
Beijos, bonita.

Joanna disse...

ei, drica! nossas visitas on line matam um tiquinho da saudade, né? rsrsr
eu sou visitante constante d'oblogdadri, que adoro! e que tá cada dia mais legal!

esqueci de contar que este poema do drummond tá no livro 'Rosa do Povo' e que é a segunda parte do poema 'Nosso tempo'.
; )

bjoca