"II
Este é tempo de divisas,
tempo de gente cortada.
De mãos viajando sem braços,
obscenos gestos avulsos.
Mudou-se a rua da infância.
E o vestido vermelho
vermelho
cobre a nudez do amor,
ao relento, no vale.
Símbolos obscuros se multiplicam.
Guerra, verdade, flores?
Dos laboratórios platônicos mobilizados
vem um sopro que cresta as faces
e dissipa, na praia, as palavras.
A escuridão estende-se mas não elimina
o sucedâneo da estrela nas mãos.
Certas partes de nós como brilham! São unhas,
anéis, pérolas, cigarros, lanternas,
são partes mais íntimas,
a pulsação, o ofego,
e o ar da noite é o estritamente necessário
para continuar, e continuamos"
Drummond
Drummond me faz chorar. Desta vez foi implacável.
Ana, amiga querida que tá de mudança me enviou há pouco esta poesia que eu não conhecia. Parece que o escrito tem perseguido a moça. ser perseguida por drummond é de um luxo que só pode ter como efeito o retorno à causa. É do reencontro que se trata.
... falando em choro, hoje escutei falar uma das pessoas que mais me agrada escutar. e ele é um juiz. da vara da infância e da juventude.
Além de dizer coisas do tipo 'cada caso aponta sua propria solução', fazer questões como 'então o pai vai ter que recorrer ao juiz para ter seu filho em casa as 22h? estamos em uma crise de autoridade extrema'; fazer perguntas do tipo 'que efeito social a intervenção socioeducativa produz?' , além disso ele ainda disse que já houve casos que ele recebeu em audiência que o fizeram chorar.
Chorar uma lagrima calada.
:)
2 comentários:
lindo. demais. adoro aqui, adoro você.
Beijos, bonita.
ei, drica! nossas visitas on line matam um tiquinho da saudade, né? rsrsr
eu sou visitante constante d'oblogdadri, que adoro! e que tá cada dia mais legal!
esqueci de contar que este poema do drummond tá no livro 'Rosa do Povo' e que é a segunda parte do poema 'Nosso tempo'.
; )
bjoca
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