o lixo é uma substancia incrivel
...
é algo quase altista...
é muito interessante trabalhar com um material que tende a invisibilidade...
vik muniz
26.12.09
25.11.09
22.11.09
Mais uns trechinhos do livro Só para Mulheres (Clarice Lispector)
para meu depósito de idéias. :)
"poros dilatados
pra os poros dilatados, passe no rosto, duas vezes por dia, um pouco de leite cru, deixando ficar cerca de 15 minutos. Lave o rosto com água-de-rosas. As principais causas dos poros dilatados são fadiga e excesso alimentar.
(...)
rugas nas palpebras.
Um dos meios de evitar e atenuar as rugas nas pálpebras está no seguinte exercício a ser executado diariamente:
- Apóie as palmas das mãos contra os olhos bem fechados. Imagine um monte de carvão. Então, imagine que um gato preto está subindo pelo monte de carvão.
Você está rindo? Acontece que o movimento 'interno' dos olhos, no escuro, é a melhor ginástica para seus músculos. Com o carvão escuro, vcê terá a imagem escura de que precisa. E o gato preto 'subindo' lhe dará o movimento de que você precisa.
Outra ginástica
Olhe para um lado. Mas sem mover a cabeça.
(...)
Um repouso que embeleza.
Deite-se sobre um tapete. Ergo os pés, apoiando-os numa almofada alta. O quarto ou sala deve estar no escuro. E há um modo de você se rodear de silêncio? Consiga o mais absoluto silêncio, nem que tenha que usar algodão nos ouvidos.
Faça um cozimento de tília(um bom punhado para 1/2 litro de água). Com esse chá bem quente, faça uma grossa compressa no rosto - e, sobre a compressa, oha uma toalha bem felpuda (assim a umidade e o calor de conservarão na pele).
Todos esses cuidados, aliás, facilitarão a você 'não pensar em nada'. 'Não pensar em nada' é um creme muito bom...
Quanto tempo de tratamento? Dez minutos - e você está renovada.
(...)
duplo crime
Um rapaz comparece perante um tribunal de Minneapolis. Seu crime: ter beijado a namorada enquanto guiava um automóvel.
- Condeno-o ao maximo de penalidade, pronuncia o juiz, pois fez ao mesmo tempo duas coisas que exigem de um homem a maior atenção!
(...)
A experiência de Sinatra
Diz Frank Sinatra qeu a arte de conquistar uma mulher se resume em compreender o que ela não diz... Terá Sinatra razão?"
adoro!
para meu depósito de idéias. :)
"poros dilatados
pra os poros dilatados, passe no rosto, duas vezes por dia, um pouco de leite cru, deixando ficar cerca de 15 minutos. Lave o rosto com água-de-rosas. As principais causas dos poros dilatados são fadiga e excesso alimentar.
(...)
rugas nas palpebras.
Um dos meios de evitar e atenuar as rugas nas pálpebras está no seguinte exercício a ser executado diariamente:
- Apóie as palmas das mãos contra os olhos bem fechados. Imagine um monte de carvão. Então, imagine que um gato preto está subindo pelo monte de carvão.
Você está rindo? Acontece que o movimento 'interno' dos olhos, no escuro, é a melhor ginástica para seus músculos. Com o carvão escuro, vcê terá a imagem escura de que precisa. E o gato preto 'subindo' lhe dará o movimento de que você precisa.
Outra ginástica
Olhe para um lado. Mas sem mover a cabeça.
(...)
Um repouso que embeleza.
Deite-se sobre um tapete. Ergo os pés, apoiando-os numa almofada alta. O quarto ou sala deve estar no escuro. E há um modo de você se rodear de silêncio? Consiga o mais absoluto silêncio, nem que tenha que usar algodão nos ouvidos.
Faça um cozimento de tília(um bom punhado para 1/2 litro de água). Com esse chá bem quente, faça uma grossa compressa no rosto - e, sobre a compressa, oha uma toalha bem felpuda (assim a umidade e o calor de conservarão na pele).
Todos esses cuidados, aliás, facilitarão a você 'não pensar em nada'. 'Não pensar em nada' é um creme muito bom...
Quanto tempo de tratamento? Dez minutos - e você está renovada.
(...)
duplo crime
Um rapaz comparece perante um tribunal de Minneapolis. Seu crime: ter beijado a namorada enquanto guiava um automóvel.
- Condeno-o ao maximo de penalidade, pronuncia o juiz, pois fez ao mesmo tempo duas coisas que exigem de um homem a maior atenção!
(...)
A experiência de Sinatra
Diz Frank Sinatra qeu a arte de conquistar uma mulher se resume em compreender o que ela não diz... Terá Sinatra razão?"
adoro!
8.11.09
Falha nas orelhas
Orelhas de orla bem enrolada indicam senso pratico, positivo, julgamento rápido, vontade de realização.
Quando a orla é quase inexistente a pessoa é mistica, idealista, não reconhecendo nos fatos o direito de desmentir as teorias.
As orelhas chatas correspondem a um temperamento seco. As espessas, um pouco carnudas, pertencem aos aproveitadores da vida.
Se nessa coleção nenhum exemplar corresponder ao par com que você foi dotada, escolha o que mais de assemelha. Ou mesmo o que mais lhe agrada...
Tudo vale. O importante mesmo é ter orelhas
Clarice Lispector nos anos 50, 60 - 'Só para mulheres'
Adoro o humor dela!
Orelhas de orla bem enrolada indicam senso pratico, positivo, julgamento rápido, vontade de realização.
Quando a orla é quase inexistente a pessoa é mistica, idealista, não reconhecendo nos fatos o direito de desmentir as teorias.
As orelhas chatas correspondem a um temperamento seco. As espessas, um pouco carnudas, pertencem aos aproveitadores da vida.
Se nessa coleção nenhum exemplar corresponder ao par com que você foi dotada, escolha o que mais de assemelha. Ou mesmo o que mais lhe agrada...
Tudo vale. O importante mesmo é ter orelhas
Clarice Lispector nos anos 50, 60 - 'Só para mulheres'
Adoro o humor dela!
1.11.09
"Fartura e Carência
Mas o pior é o súbito cansaço de tudo. Parece uma fartura, parece que já se teve tudo e que não se quer mais nada. Cansaço dos Beatles. E cansaço também dos que não os são. Cansaço inclusive de minha liberdade íntima que foi tão duramente conquistada. cansaço de um amar o outro. Melhor seria o ódio. O que me salvaria dessa impressão de fartura - é fartura ou uma liberdade de que está sendo inútil? - seria a raiva. Não um tipo de raiva amorosa que existe. Mas a raiva simples e violenta. Quanto mais violenta, melhor. Raiva dos que não sabem de nada. Raiva também dos inteligentes do tipo que dizem coisas. Raiva do cinema novo, por que não? E do outro cinema também. Raiva da afinidade que sinto com algumas pessoas, como se já houvesse fartura de mim em mim. E raiva do sucesso? O sucesso é uma gafe, uma falsa realidade. A raiva me tem salvo a vida. Sem ela o que seria de mim? Como suportaria eu a manchete que saiu um dia no jornal dizendo que sem crianças morrem no Brasil diariamente de fome? A raiva é a minha revolta mais profunda de ser gente? Ser gente me cansa. E tenho raiva de sentir tanto amor. Há dias que vivo de raiva de viver. Porque a raiva me envivece toda: nunca me senti tão alerta. Bem sei que isso vai passar, e que a carência necessária volta. Então vou querer tudo, tudo! Ah como é bom precisar e ir tendo. Como é bom o instante de precisar que antecede o instante de se ter. Mas ter facilmente, não. Porque essa aparente facilidade cansa. Até escrever está sendo fácil? Por que é que eu escrevia com as entranas e neste momento estou escrevendo com a ponta dos dedos? É um pecado, bem sei, querer a carência. Mas a carência de que falo é tão mais plenitude do que esta espécie de fartura. Simplesmente não a quero. Vou dormir porque não estou suportando este meu mundo de hoje, cheio de coisas inúteis. Boa noite para sempre, para sempre. Até sábado que vem. E não me respondam: não quero ouvir a voz humana. E se suporto a minha voz de despedindo é porque ela piora de muito a minha raiva.
Só uma raiva, no entanto, é bendita: a dos que precisam."
Clarice Lispector
Podia ter sido eu
se pudesse
Mas o pior é o súbito cansaço de tudo. Parece uma fartura, parece que já se teve tudo e que não se quer mais nada. Cansaço dos Beatles. E cansaço também dos que não os são. Cansaço inclusive de minha liberdade íntima que foi tão duramente conquistada. cansaço de um amar o outro. Melhor seria o ódio. O que me salvaria dessa impressão de fartura - é fartura ou uma liberdade de que está sendo inútil? - seria a raiva. Não um tipo de raiva amorosa que existe. Mas a raiva simples e violenta. Quanto mais violenta, melhor. Raiva dos que não sabem de nada. Raiva também dos inteligentes do tipo que dizem coisas. Raiva do cinema novo, por que não? E do outro cinema também. Raiva da afinidade que sinto com algumas pessoas, como se já houvesse fartura de mim em mim. E raiva do sucesso? O sucesso é uma gafe, uma falsa realidade. A raiva me tem salvo a vida. Sem ela o que seria de mim? Como suportaria eu a manchete que saiu um dia no jornal dizendo que sem crianças morrem no Brasil diariamente de fome? A raiva é a minha revolta mais profunda de ser gente? Ser gente me cansa. E tenho raiva de sentir tanto amor. Há dias que vivo de raiva de viver. Porque a raiva me envivece toda: nunca me senti tão alerta. Bem sei que isso vai passar, e que a carência necessária volta. Então vou querer tudo, tudo! Ah como é bom precisar e ir tendo. Como é bom o instante de precisar que antecede o instante de se ter. Mas ter facilmente, não. Porque essa aparente facilidade cansa. Até escrever está sendo fácil? Por que é que eu escrevia com as entranas e neste momento estou escrevendo com a ponta dos dedos? É um pecado, bem sei, querer a carência. Mas a carência de que falo é tão mais plenitude do que esta espécie de fartura. Simplesmente não a quero. Vou dormir porque não estou suportando este meu mundo de hoje, cheio de coisas inúteis. Boa noite para sempre, para sempre. Até sábado que vem. E não me respondam: não quero ouvir a voz humana. E se suporto a minha voz de despedindo é porque ela piora de muito a minha raiva.
Só uma raiva, no entanto, é bendita: a dos que precisam."
Clarice Lispector
Podia ter sido eu
se pudesse
31.10.09
27.10.09
alguém já se pergunotu porque gosto da mafalda? porque tenho o analista que tenho, porque gosto das pessoas que gosto? porque quero mudar o mundo? interessa a quem saber que eu penso um monte de coisas que fazem sentido e faço um monte que não fazem e poucas vezes digo o que penso e faço o que faço. que quero dizer? que muitas vezes direi que é preciso que nos relacionemos, nem que seja para construir teorias para mudar o mundo. Nem que isso nos custe o que custar - saberemos parar. Saberemos frear a emoção de chegar perto. Uma outra vez. Saberemos que a coisa que mais interessa é a que tenho comigo. Não transmito, porque pode ser contagioso. Não corro risco. Não vou correr pra decifrar minhas nuas letras que se envolvem em meu discurso. Não não não raios não dizem da chuva - tão fecunda a coitada. Tempestade em copo d'água há de ser isso
25.10.09
"A lucidez perigosa
Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
Assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
– já me aconteceu antes.
Pois sei que
– em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade –
essa clareza de realidade
é um risco.
Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém"
Clarice Lispector
Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
Assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
– já me aconteceu antes.
Pois sei que
– em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade –
essa clareza de realidade
é um risco.
Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém"
Clarice Lispector
"... há sem dúvidas quem ame o infinito, há sem dúvidas quem deseje o possível , há sem dúvidas quem não queira nada. Há 3 tipos de idealistas, e eu , nenhum deles. Porque amo infinitamente o finito, porque desejo impossivelmente o possível, pq quero tudo , ou um pouco mais , se puder ser, ou até se não puder ser ... "
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa
24.10.09
engraçado
a gente sabe quando uma viagem muda a gente desde a partida
desde a decisão
desde a atração
deixo aqui o registro de um texto de Luis Nachbin, que admiro por várias razões
hoje to encantada com a coragem doce dele
'Conexão Nova Iorque – São Francisco
Durante muito tempo eu quis cruzar os Estados Unidos por terra, de ponta a ponta. Tive chances durante os três anos que morei em São Francisco – de 1991 a 1994. Mas, na hora “h”, eu nunca podia: tinha que estudar para uma prova do mestrado, tinha que terminar a edição de um vídeo, tinha obrigações de todo tipo – em geral aumentadas pela minha cabeça.
Amigos foram, mas eu não.
Aí, quase dez anos depois, em 2003, aqui no Rio, a ideia reapareceu. Eu passava por uma fase muito esquisita. Começava o namoro com Ludmila, a minha mulher, mas tinha impulsos para terminar a relação. Queria viajar, queria produzir, mas todos os projetos que eu concebia ficavam no papel. Achava todos fracos. Minha autoexigência não me deixava andar para a frente.
As esquisitices culminaram com o término do namoro com Ludmila, em setembro de 2003.
Fiquei zonzo.
Pensei em um projeto – que tenho até hoje – de gravar em Bangladesh. “Época das monções, está chovendo muito por lá”, raciocinei. E desisti. Percorri todos os meus rascunhos, aqui no computador, e encontrei “o projeto ideal”: um road movie pelos Estados Unidos. Ia começar o outono por lá, as folhas mudam de cor, a luz é ótima para fotografia e até a paisagem combinaria com o meu estado de espírito.
Além do mais, e o mais importante: era um sonho antigo.
Voei para Nova Iorque, aluguei um carro e iniciei o meu road movie pelo Marco Zero – onde ficavam as torres gêmeas do 11 de Setembro. No início, me sentia eufórico. Um amigo e eu nos revezávamos ao volante numa média de 500 quilômetros por dia. Quero dizer, era dia sim, dia não. Um dia na estrada direto, no outro gravando em alguma cidade escolhida, e assim por diante.
O road movie ficou forte, na minha opinião. É autêntico, é contundente, tem uma montagem interessantíssima – criação do meu amigo Alexandre Rocha. Faltou, apenas, encontrar o final do filme.
Ah: falta exibi-lo.
Enquanto percorre a diversidade de paisagens de um país tão vasto, o documentário discute a guerra ao terror. O governo de Bush filho, ainda no primeiro mandato, recebe os mais variados adjetivos das pessoas que entrevisto. Perto do litoral, é criticado com veemência; já nos rincões, o tom beira a adoração. O que mais me atrai no enredo deste filme é a argumentação para sustentar cada ponto de vista.
Mas a viagem de Nova Iorque a São Francisco não foi prazerosa. A euforia durou pouco. O tédio da estrada pareceu interminável. E eu também me suportava cada vez menos. Dei graças a Deus quando cheguei à costa oeste e reencontrei amigos queridos.
Hoje em dia está muito claro que aqueles milhares de quilômetros representaram o início de grandes transformações na minha vida. Eu era um emaranhado ambulante de dúvidas: não sabia o que fazer das viagens, que tipo de documentários queria produzir, onde eu gostaria de exibir, como queria me comunicar. Ao mesmo tempo, me via “com a faca e o queijo na mão”.
Não sabia sequer por que tinha terminado com Ludmila. Nem como reconquistá-la.
Voltei ao Brasil e intensifiquei as minhas sessões de análise. Me sentia pirado e sozinho.
Até que, em abril de 2004, recebi um telefonema do Futura. Nascia o Passagem. Foquei.
E, depois de várias tentativas frustradas, Ludmila e eu também encontramos uma onda harmônica nova. Foi realmente incrível. De repente, os problemas desapareceram. É que eu havia aprendido a lidar com eles. Amor de verdade, eu sempre soube que sentia por ela. A “ficha” caiu.
Os Estados Unidos acabaram rendendo oito episódios do Passagem, em 2005. E agora também temos o breve vídeo “A visão deles”, aqui no site.
A conexão Nova Iorque – São Francisco continua me atraindo. Da próxima vez, irei na companhia de Ludmila e Cecília.
Provavelmente de avião.'
a gente sabe quando uma viagem muda a gente desde a partida
desde a decisão
desde a atração
deixo aqui o registro de um texto de Luis Nachbin, que admiro por várias razões
hoje to encantada com a coragem doce dele
'Conexão Nova Iorque – São Francisco
Durante muito tempo eu quis cruzar os Estados Unidos por terra, de ponta a ponta. Tive chances durante os três anos que morei em São Francisco – de 1991 a 1994. Mas, na hora “h”, eu nunca podia: tinha que estudar para uma prova do mestrado, tinha que terminar a edição de um vídeo, tinha obrigações de todo tipo – em geral aumentadas pela minha cabeça.
Amigos foram, mas eu não.
Aí, quase dez anos depois, em 2003, aqui no Rio, a ideia reapareceu. Eu passava por uma fase muito esquisita. Começava o namoro com Ludmila, a minha mulher, mas tinha impulsos para terminar a relação. Queria viajar, queria produzir, mas todos os projetos que eu concebia ficavam no papel. Achava todos fracos. Minha autoexigência não me deixava andar para a frente.
As esquisitices culminaram com o término do namoro com Ludmila, em setembro de 2003.
Fiquei zonzo.
Pensei em um projeto – que tenho até hoje – de gravar em Bangladesh. “Época das monções, está chovendo muito por lá”, raciocinei. E desisti. Percorri todos os meus rascunhos, aqui no computador, e encontrei “o projeto ideal”: um road movie pelos Estados Unidos. Ia começar o outono por lá, as folhas mudam de cor, a luz é ótima para fotografia e até a paisagem combinaria com o meu estado de espírito.
Além do mais, e o mais importante: era um sonho antigo.
Voei para Nova Iorque, aluguei um carro e iniciei o meu road movie pelo Marco Zero – onde ficavam as torres gêmeas do 11 de Setembro. No início, me sentia eufórico. Um amigo e eu nos revezávamos ao volante numa média de 500 quilômetros por dia. Quero dizer, era dia sim, dia não. Um dia na estrada direto, no outro gravando em alguma cidade escolhida, e assim por diante.
O road movie ficou forte, na minha opinião. É autêntico, é contundente, tem uma montagem interessantíssima – criação do meu amigo Alexandre Rocha. Faltou, apenas, encontrar o final do filme.
Ah: falta exibi-lo.
Enquanto percorre a diversidade de paisagens de um país tão vasto, o documentário discute a guerra ao terror. O governo de Bush filho, ainda no primeiro mandato, recebe os mais variados adjetivos das pessoas que entrevisto. Perto do litoral, é criticado com veemência; já nos rincões, o tom beira a adoração. O que mais me atrai no enredo deste filme é a argumentação para sustentar cada ponto de vista.
Mas a viagem de Nova Iorque a São Francisco não foi prazerosa. A euforia durou pouco. O tédio da estrada pareceu interminável. E eu também me suportava cada vez menos. Dei graças a Deus quando cheguei à costa oeste e reencontrei amigos queridos.
Hoje em dia está muito claro que aqueles milhares de quilômetros representaram o início de grandes transformações na minha vida. Eu era um emaranhado ambulante de dúvidas: não sabia o que fazer das viagens, que tipo de documentários queria produzir, onde eu gostaria de exibir, como queria me comunicar. Ao mesmo tempo, me via “com a faca e o queijo na mão”.
Não sabia sequer por que tinha terminado com Ludmila. Nem como reconquistá-la.
Voltei ao Brasil e intensifiquei as minhas sessões de análise. Me sentia pirado e sozinho.
Até que, em abril de 2004, recebi um telefonema do Futura. Nascia o Passagem. Foquei.
E, depois de várias tentativas frustradas, Ludmila e eu também encontramos uma onda harmônica nova. Foi realmente incrível. De repente, os problemas desapareceram. É que eu havia aprendido a lidar com eles. Amor de verdade, eu sempre soube que sentia por ela. A “ficha” caiu.
Os Estados Unidos acabaram rendendo oito episódios do Passagem, em 2005. E agora também temos o breve vídeo “A visão deles”, aqui no site.
A conexão Nova Iorque – São Francisco continua me atraindo. Da próxima vez, irei na companhia de Ludmila e Cecília.
Provavelmente de avião.'
19.10.09
16.10.09
"Basta Um Dia
Pra mim
Basta um dia
Não mais que um dia
Um meio dia
Me dá
Só um dia
E eu faço desatar
A minha fantasia
Só um
Belo dia
Pois se jura, se esconjura
Se ama e se tortura
Se tritura, se atura e se cura
A dor
Na orgia
Da luz do dia
É só
O que eu pedia
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia
Só um
Santo dia
Pois se beija, se maltrata
Se como e se mata
Se arremata, se acata e se trata
A dor
Na orgia
Da luz do dia
É só
O que eu pedia, viu
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia"
chico
porque andava perdendo o costume
Pra mim
Basta um dia
Não mais que um dia
Um meio dia
Me dá
Só um dia
E eu faço desatar
A minha fantasia
Só um
Belo dia
Pois se jura, se esconjura
Se ama e se tortura
Se tritura, se atura e se cura
A dor
Na orgia
Da luz do dia
É só
O que eu pedia
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia
Só um
Santo dia
Pois se beija, se maltrata
Se como e se mata
Se arremata, se acata e se trata
A dor
Na orgia
Da luz do dia
É só
O que eu pedia, viu
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia"
chico
porque andava perdendo o costume
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