2.11.08

essa é uma das minhas preferidas.

Ainda vou tocar esta música no violoncelo! não há de demorar rsrsr

Carpenters, Superstar.

29.10.08

Entrevistas com Zizek

"Glyn Daly: Uma categoria central em seu trabalho é a da jouissance, ou gozo. O gozo é visto como algo a que se tem de renunciar, como condição de ingresso na ordem sociossimbólica, mas essa mesma ordem é sustentada por algumas fantasias que encenam a perda e a recuperação do gozo. Você pode falar um pouco disso?

Zizek: Sim, temos uqe renunciar ao gozo para entrar na ordem simbólica, mas, por outro lado, o ponto crucial lacaniano é evitar a ilusão de estarmos renunciando a algo que possuíssemos antes. Esse é o paradoxo fundamental em Lacan: no próprio gesto de renúncia, criamos o espectro da morte que, supostamente, deveríamos perder. O segundo aspecto a respeito do gozo concerne à ligação entre a fantasia e ele. A fantasia, em última instância, é a fantasia sobre o pecado do gozo, porém, encena a narrativa mítica de como o gozo se perdeu. Essa é a função mais importante da fantasia. Não é propriamente o 'Ah meu Deus, nós o temos', que concerne à fantasia, mas sim o modo como o gozo foi perdido, como foi roubado.

De olhos bem fechados, de Stanley Kubrick, é um filme interessantíssimo, que diz respeito justamente a idéias de gozo compartilhado, roubo de gozo e poder da fantasia. Muitos críticos o censuraram por sua esterilidade. Mas acho que, longe de ser uma falha do filme, a genialidade de Kubrick está em ele compreender a profunda esterilidade da fantasia. O que o filme mostra é que em vez de penetrar num mundo de êxtases arrebatadores, quanto mais você se aprofunda nas fantasias, mais elas parecem ilusórias e vazias, até que, já no final do filme, temos a famosa orgia coletiva, qeu é completamente asséptica.

A diferença sexual também é crucial aí, porque as duas perspectivas exploradas por Kubrick não são simétricas. À primeira vista, temos um homem e uma mulher casados - Nicole Kidman e Tom Cruise -, em cada um dos quais explode a fantasia. E a idéia é que cada um vá até o fim, explorando as profundezas da fantasia. Mas, se você examinar de perto o que acontece, verá que é apenas no homem que isso explode. A fantasia autêntica - a fantasia que abriga um significado real - é a da mulher, e o que ele tenta desesperadamente fazer é ficar à altura de algo que estaria no nível da fantasia dela, ou ressucitar algo. E acaba fracassando.

A interpretação costumeira do filme é que estamos diante de um casal pretensioso, que é seduzido pela fantasia e, pouco antes de se perder no abismo de um desejo que monopoliza tudo, controla-se e recua. Mas o que o filme realmente mostra, a meu ver, é uma travessia da fantasia, através da experiência de sua estupidez. Nesse sentido, a lição é muito amis deprimente. Não é que a fatasia seja um poderoso abismo de sedução que ameaça nos tragar, mas justamente o contrário: a fantasia, em última instância, é estéril."

(no livro Arriscar o impossível- Conversas com Zizek)

Parece valer a pena rever este filme, de olhos não tão fechados assim, desta vez.
;)

25.10.08

Marcelo Camelo. conteúdo.

ano cumpádi!
desculpa mesmo a demora. depuração é coisa assim. ninguém mais decanta. pureza ou mistura? mistura! é fácil fazer coro. até eu.
massss
acho que o sumo de uma idéia atravessa melhor as camadas da consciência até chegar onde deve.
mas acho também que meio é mensagem e por isso a forma é o conteúdo.
e por isso onde deve é no corpo inteiro.
por isso esse conflito todo.
aí vai meu texto de despedida, assim mesmo, feito no computador.

eu sou só um você
que você não quis
e querer é coisa tão pequena
que só não sou você por um triz

lá no blog dele

1.10.08

PROCURA DA POESIA

Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão intenso à efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.

Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.

Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e amemória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Repara:ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.


Carlos Drummond de Andrade

21.9.08

o lápis ajuda a soletrar

palavra em corpo

27.8.08

Jabá

Hoje as 20h tem show do Transmissor, banda fina, composta por jovens musicos belorizontinos, que hoje lançam o primeiro cd.

O convite e detalhes sobre a banda estão no site da Stereoteca.

Ou, do jeito como eles proprios se apresentam, no myspace da banda.

Vale muito a pena ver o show, porque eles são muito bons ao vivo!!! Além de tudo o CD tá lindo!!

mantra

“Saber que não escrevemos para o outro,
saber que essas coisas que vou escrever jamais me farão amado de quem amo,
saber que a escrita não compensa nada, não sublima nada,
que ela está precisamente ali onde você não está – é o começo da escrita.”

Roland Barthes

25.8.08

"E a melhor piada pronta das Olimpíadas foi o cavalo pego no doping: o Chupa Chups!"

Zé Simão, aqui. ahahahaha

24.8.08

adoradores do sol

A fotografia foi escrita por Baudelaire como uma "arte absoluta. Um Deus vingativo que realiza o desejo do povo (...) Uma loucura, um fanatismo se apoderou destes novos adoradores do sol" - diz ele.

Dia 19 de agosto foi dia da fotografia. Que será isso?
Esta reportagem , de onde extrai esta passagem, é bacana - embora eu não possa atestar o valor da verdade, que isso é coisa difícil de fazer, inclusive

18.8.08

Uma passagem

"Um suspiro lhe remata a angústia. As memórias lhe fazem bem. A avó afaga uma mão com a outra como se entendesse rectificar o seu destino, desenhado em seus entortados dedos.
-Agora, meu neto, me chegue aquele álbum.
Aponta um velho álbum de fotografias pousado na poeira do armário. Era ali que, às escondidas, ela vinha tirar vingança do tempo. Naquele livro a Avó visitava lembranças, doces revivências.
Mas quando o álbum se abre em seu colo eu reparo, espantado, que não há fotografia nenhuma. As páginas de desbotada cartolina estão vazias. Ainda se notam as marcas onde, antes, estiveram coladas fotos.
-Vá. Sente aqui que eu lhe mostro.
Finjo que acompanho, cúmplice da mentira.
- Está ver aqui seu pai, tão novo, tão clarinho até parece mulato?
E vai repassando as folhas vazias, com aqueles seus dedos sem aptidão, a voz num fio como se não quisesse despertar os fotografados.
-Aqui, veja bem, aqui está sua mãe. E olhe nesta, você, tão pequeninho! Vê como está bonita consigo no colo?
Me comovo, tal é a convicção que deitava em suas visões, a ponto de os meus dedos serem chamados a tocar o velho álbum. Mas Ducineusa corrige-me.
-Não passe a mão pelas fotos que se estragam. Elas são o contrário de nós: apagam-se quando recebem carícias.
Dulcineusa queixa-se que ela nunca aparece em nenhuma foto. sem remorso, empurro mais longe a ilusão. Afinal, a fotografia é sempre uma mentira. Tudo na vida está acontecendo por repetida vez.
-Engano seu. Veja esta foto, aqui está a Avó.
-Onde? Aqui no meio desta gente toda?
-Sim, Avó. É a senhora aqui de vestido branco.
-Era uma festa? Parece uma festa.
-Era a festa de aniversário da Avó!
Vou ganhando coragem, quase acreditando naquela falsidade.
-Não me lembro que me tivessem feito uma festa...
-E aqui, veja aqui, é o Avô lhe entregando uma prenda.
-Mostre!Que prenda é essa, afinal?
-É um anel, Avó. Veja bem, como brilha esse anel!
Dulcineusa fixa a inexistente foto de ângulos diversos. Depois, contempla longamente as mãos como se as comparasse com a imagem ou nelas se lembrasse se um outro tempo.
-Pronto, agora vá. Me deixe aqui sozinha.
Vou saindo, com respeitosos vagares. Já no limiar da porta, a Avó me chama. Em seu rosto, adivinho um sorriso:
-Obrigada, meu neto!
-Obrigada porque?
-Você mente com tanta bondade que até Deus lhe ajuda a pecar."

Adoro esta passagem... do Mia Couto. Está no livro "Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra"

30.7.08

last.fm... (ou leste.fm)

Encontramos uma rede deliciosa de rádios pessoais e transferíveis.

A onda é a compatibilidade.

Eis nosso convite: http://www.lastfm.com.br/home

E vejam a nossa: http://www.lastfm.com.br/user/GuiJo

Gui e Jô

27.7.08

Tô só

"Vamo brincá de ficá bestando e fazê um cafuné no outro e sonhá que a gente enricô e fomos todos mora nos Alpes Suiços e tamo lá só enchendo a cara e só zoiando? Vamo brincá que o Brasil deu certo e que todo mundo tá mijando a céu aberto, num festival de povão e dotô? VAmo brinca que a peste passô, que o HIV foi bombardeado com beagacês, e que tá todo mundo de novo namorando? Vamo brincá de morrê, porque a gente não morre mais e tamo sentindo saudade até de adoecê? E há escola e comida pra todos e há dentes na boca das gentes e dentes a mais, até nos pentes? E que os humanos não comem mais animais, e há leões lambendo os pés dos bebês e leoas babás? E que a alma é de uma terceira matéria, uma quântica quimera, e alguém lá no céu descobriu que a gente não vai mais pro beleléu? E que não há mais carros, só asas e barcos, e que a poesia viceja e grassa grama (como diz o abade), e é porreta ser poeta no Planeta? Vamo brincá

de teta
de azul
de berimbau
de doutora em letras?

E de luar?Que é aquilode vestir um véu todo irisado e rodar, rodar...

Vamo brincá de pinel? Que é isso de ficá loco e cortá a garganta dos otro?
Vamo brincá de ninho? E de poesia de amor?

nave
ave
moinho
e tudo mais serei
para que seja leve
meu passo
em vosso caminho*

Vamo brincá de autista? Que é isso de se fechá no mundão de gente e nunca mais ser cronista? Bom-dia, leitor. Tô brincando de ilha."

Hilda Hilst, no livro Cascos e Carícias
(16 de agosto de 1993)

Receitas antitédio carnavalesco

Hilda Hilst

"Pequenas sugestões e receitas de espanto antitédio para senhores e donas de casa duranet o carnaval.

I
Pegue um nabo. Coloque duas ou três palavras dentro dele, por exemplo: bastão, ouro, amplidão. Chacoalhe. Você não vai ouvir ruído algum. É normal. Aí ajoelhe-se com o nabo na mão e diga:

Com o bastão que me foi dado
Com o ouro que me foi tirado
E sem nenhuma amplidão
De conceitos e dados
Quero renascer brasileiro
E poeta.

Quem te ouvir vai ficar besta.

II
Colha um pé de couve e dois repolhos. Embrulhe-os. Faça as malas e atravesse a fronteira. Tá na hora.

III
Pergunte ao seu filhinho se ele quer laranja descascada de tampinha ou de gomo. Se ele disser que quer laranja descascada de tampinha, diga que um menino bem educado sempre escolhe a se gomo. Se ele começar a chorar, chupe você a laranja. De tampinha, naturalmente.

IV
Enfeite a mesa com flores. Compre um peru. Feche as crianças no banheiro. Antes de começar a ceia, convide seu marido para dançar ao redor da mesa(não mexa com o peru). Inopinadamente pergunte se ele gosta de trufas. Se ele disser que sim, gargalhe algum tempo atrás da porta e diga que "trufas não tem não, amorzinho".

V
Compre manteiga. PAsse-a nos dedos (esqeuça maarlon Brando). Chupe-os. E diga em tom de oração: que vida solitária, meu DEus! (Contenha-se)"


e por aí vai...

16.7.08

12.7.08

Das coisas que tem me tocado

Cais

Para quem quer se soltar invento o cais

Invento mais que a solidão me dá

Invento lua nova a clarear

Invento o amor e sei a dor de me lançar

Eu queria ser feliz

Invento o mar

Invento em mim o sonhador

Para quem quer me seguir eu quero mais

Tenho o caminho do que sempre quis

E um saveiro pronto pra partir

Invento o cais

E sei a vez de me lançar

(Milton Nascimento e Ronaldo Bastos)


7.7.08

Consolo?

"O trabalho está desorganizado, muito ruim, muito confuso.
Material eu tenho e em abundâcia.
O que me falta é o tino da composição, o verdadeiro trabalho.
Minha tendência seria a de pensar apenas e não trabalhar nada.
Mas isso não é possível.
O trabalho de compor é o pior.
Eu mesma vivo me levantando e caindo de novo e me levantando.
Não sei qual é o bem disso, sei que é essa forma confusa de vida que vivo. Uma pessoa que quisesse tomar minha direção seria bem vinda...
Eu nunca sei se quero descansar porque estou realmente cansada,
ou se quero descansar para desistir."

Clarice Lispector

28.6.08


"Cult - Você ainda pretende fazer música por muito tempo?
Tom Zé - Olhe, querido, fazer música é, hoje em dia, uma coisa tão prazerosa. Teve um tempo em que era duro, era sofrido, porque eu fazia um tipo de música que os mercados recusavam. Tudo isso era muito dolorido. Durante meu ostracismo fiquei muito doente também. A falta de um colo materno por ter uma música que não era aceita em lugar nenhum. Agora, na hora em que estava no ostracismo nunca me queixei. Esse é o segredo que queria conversar com a juventude. Gostaria que você desse importância a isso. A queixa é muito gostosa. Lembra aquele filme Perfume de Mulher? A queixa é um perfume de mulher. É uma coisa embriagadora, você se enamora. O homem que se queixa está em cima de um pedestal que os outros não têm direito. É uma coisa formidável, dá um poder, dá asas. Você fica levitando. Resultado: não faz nada. sempre aceitei as regras do mercado. Até dizia assim: ' Prefiro essa lei da comunicação de massa que vigora aqui no Brasil doq eu a lei num país comunista onde quem escolhe os artistas é o governo". Caramba meu cumpadre! Ser compositor para o governo? Isso que é castigo na vida. Então digo isso aos moleques, desconfie da queixa. O queixoso é mais bem sucedido na sua psicologia louca do que os vitoriosos. A armadilha desgraçada dela é essa: nos torna autistas. É um tipo de autismo de quem tem QI avançado. [risos]

26.6.08