8.8.09
"- Gullar, vou lhe fazer uma pergunta muito dificil que eu mesma não saberia responder. É o seguinte: como nasce em você, o poema, a palavra escrita?
- Em mim o poema quase sempre é provocado por um choque emocional qualquer... o choque emocional já por si provoca as palavras, eu em geral não em preocupo em escolhê-las, elas jorram."
Ferreira Gullar
"- Você mudou de estilo de cantar. Por exemplo, nao usa tanto os braços. Porque a mudança? Para sair da rotina ou porque você ficou mais moderna?
- A gente vai vivendo - e eu sou uma pessoa que vive intensamente, tirando o maximo de tudo - a gente vai vivendo e modifica-se a cada dia. Juntando-se a isso a pouca idade e maturidade incompleta no meu início de carreira, é absolutamente normal, penso eu, que eu esteja me modificando sempre. Acho que nenhum ser tem o direito de se cristalizar nem os outros têm o direito de exigir isso dele."
Elis Regina
"- Paulo, você acha que a vida é boa?
- Não conheço nada melhor que viver, apesar de tudo. Apesar de tudo, Clarice.
- Você é religioso?
- Oficialmente não. Mas se ser religioso é acreditar na capacidade humana de progredir por dentro, é acreditar em ser bom pelo amor aos outros, é tentar ser útil - entao, sim, sou religioso.
- Você ainda sente um certo frisson antes de entrar em cena?
- No dia em que não sentir mais isso é porque nada mais terei a dizer num palco. E você,, Clarice, acha que a vida é boa?
- É bom ser. Mas só isso."
Paulo Autran
Trechos do livro entrevistas - feitas por Clarice Lispector
- Em mim o poema quase sempre é provocado por um choque emocional qualquer... o choque emocional já por si provoca as palavras, eu em geral não em preocupo em escolhê-las, elas jorram."
Ferreira Gullar
"- Você mudou de estilo de cantar. Por exemplo, nao usa tanto os braços. Porque a mudança? Para sair da rotina ou porque você ficou mais moderna?
- A gente vai vivendo - e eu sou uma pessoa que vive intensamente, tirando o maximo de tudo - a gente vai vivendo e modifica-se a cada dia. Juntando-se a isso a pouca idade e maturidade incompleta no meu início de carreira, é absolutamente normal, penso eu, que eu esteja me modificando sempre. Acho que nenhum ser tem o direito de se cristalizar nem os outros têm o direito de exigir isso dele."
Elis Regina
"- Paulo, você acha que a vida é boa?
- Não conheço nada melhor que viver, apesar de tudo. Apesar de tudo, Clarice.
- Você é religioso?
- Oficialmente não. Mas se ser religioso é acreditar na capacidade humana de progredir por dentro, é acreditar em ser bom pelo amor aos outros, é tentar ser útil - entao, sim, sou religioso.
- Você ainda sente um certo frisson antes de entrar em cena?
- No dia em que não sentir mais isso é porque nada mais terei a dizer num palco. E você,, Clarice, acha que a vida é boa?
- É bom ser. Mas só isso."
Paulo Autran
Trechos do livro entrevistas - feitas por Clarice Lispector
6.8.09
aderi
"

Fechamento do Moreira Salles
.
Fui informado pelo Eugênio Sávio que alguns fotógrafos e artistas plásticos farão uma manifestação na porta do Instituto Moreira Salles, nesse sábado, às 13 horas.
.
A idéia e que todos estejam com uma camiseta preta e façam uma foto na porta do prédio. Com essa foto e, naturalmente, com um abaixo assinado, inicia-se um movimento para que:
.
1 - O Instituto funcione, pelo menos, até o fim do ano – e quem sabe por mais tempo ainda – e;
.
2 - Caso ele realmente seja desativado, que o espaço seja utilizado por uma outra instituição cultural e não perca a função que teve nos últimos anos.
.
Vale lembra que em poucos meses o Cine Brasil será inaugurado, assim como o SESC Paladium. É preciso aproveitar esse movimento para dar uma nova dinâmica à vida cultural no centro da cidade e estender um pouco o corredor cultural planejado para ir do Palácio das Artes à Praça da Liberdade.
.
Peço que, se possível, divulguem essa proposta ao máximo. Boa sorte para todos nós!
.
(Foto de Euler Júnior, do Estado de Minas)"
Aderi então ao movimento proposto pelo Ferdi em nome de uma causa que é nossa : )

Fechamento do Moreira Salles
.
Fui informado pelo Eugênio Sávio que alguns fotógrafos e artistas plásticos farão uma manifestação na porta do Instituto Moreira Salles, nesse sábado, às 13 horas.
.
A idéia e que todos estejam com uma camiseta preta e façam uma foto na porta do prédio. Com essa foto e, naturalmente, com um abaixo assinado, inicia-se um movimento para que:
.
1 - O Instituto funcione, pelo menos, até o fim do ano – e quem sabe por mais tempo ainda – e;
.
2 - Caso ele realmente seja desativado, que o espaço seja utilizado por uma outra instituição cultural e não perca a função que teve nos últimos anos.
.
Vale lembra que em poucos meses o Cine Brasil será inaugurado, assim como o SESC Paladium. É preciso aproveitar esse movimento para dar uma nova dinâmica à vida cultural no centro da cidade e estender um pouco o corredor cultural planejado para ir do Palácio das Artes à Praça da Liberdade.
.
Peço que, se possível, divulguem essa proposta ao máximo. Boa sorte para todos nós!
.
(Foto de Euler Júnior, do Estado de Minas)"
Aderi então ao movimento proposto pelo Ferdi em nome de uma causa que é nossa : )
5.8.09
30.7.09
29.7.09
"Canção
Não leves nunca de mim
A filha que tu me deste
A doce, úmida, tranquila
Filhinha que tu me deste
Deixe-a, que bem me persiga
Seu balbucio celeste.
Não leves; deixe-a comigo
que bem me persiga, a fim
De que eu não queira comigo
A primogênita em mim
A fria, seca, encruada
Filha que a morte me deu
Que vive dessedentada
Do leite que não é seu
E que de noite me chama
Com a voz mais triste que há
E para dizer que me ama
E pra chamar-me de pai.
Não deixes nunca partir
A filha que tu me deste
A fim de que eu não prefira
A outra, que é mais agreste
Mas que não parte de mim."
Vinicius
Não leves nunca de mim
A filha que tu me deste
A doce, úmida, tranquila
Filhinha que tu me deste
Deixe-a, que bem me persiga
Seu balbucio celeste.
Não leves; deixe-a comigo
que bem me persiga, a fim
De que eu não queira comigo
A primogênita em mim
A fria, seca, encruada
Filha que a morte me deu
Que vive dessedentada
Do leite que não é seu
E que de noite me chama
Com a voz mais triste que há
E para dizer que me ama
E pra chamar-me de pai.
Não deixes nunca partir
A filha que tu me deste
A fim de que eu não prefira
A outra, que é mais agreste
Mas que não parte de mim."
Vinicius
28.7.09
" A ausente
Amiga, infinitamente amiga
Em algum lugar teu coração bate por mim
Em algum lugar teus olhos se fecham à idéia dos meus
Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios
Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas
Como que cega ao meu encontro...
Amiga, última doçura
A tranquilidade suavizou a minha pele
E os meus cabelos. Só meu ventre
Te espera, cheio de raizes e de sombras
Vem, amiga
Minha nudez é absoluta
Meus olhos são espelhos para o teu desejo
E meu peito é tábua de suplicios
Vem. Meus musculos estão doces para os teus dentes
E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim
Como no mar, vem nadar em mim como no mar
Vem te afogar em mim, amiga minha
Em mim como no mar..."
das coisas mais bonitas que o Vinicius já escreveu. na minha humilde opinião, claro.
Amiga, infinitamente amiga
Em algum lugar teu coração bate por mim
Em algum lugar teus olhos se fecham à idéia dos meus
Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios
Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas
Como que cega ao meu encontro...
Amiga, última doçura
A tranquilidade suavizou a minha pele
E os meus cabelos. Só meu ventre
Te espera, cheio de raizes e de sombras
Vem, amiga
Minha nudez é absoluta
Meus olhos são espelhos para o teu desejo
E meu peito é tábua de suplicios
Vem. Meus musculos estão doces para os teus dentes
E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim
Como no mar, vem nadar em mim como no mar
Vem te afogar em mim, amiga minha
Em mim como no mar..."
das coisas mais bonitas que o Vinicius já escreveu. na minha humilde opinião, claro.
25.7.09
"Agora, na hora em que estava no ostracismo nunca me queixei. Esse é o segredo que queria conversar com a juventude. Gostaria que você desse importância a isso. A queixa é muito gostosa. Lembra aquele filme Perfume de Mulher? A queixa é um perfume de mulher. É uma coisa embriagadora, você se enamora. O homem que se queixa está em cima de um pedestal que os outros não têm direito. É uma coisa formidável, dá um poder, dá asas. Você fica levitando. Resultado: não faz nada."
tirei do meu proprio blog, tempos atrás
é do tom zé em entrevista a bravo!
tirei do meu proprio blog, tempos atrás
é do tom zé em entrevista a bravo!
22.7.09
"Uma estrada é deserta por dois motivos: por abandono ou por desprezo.
Esta que eu ando nela agora é por abandono. Chega que os espinheiros a estão abafando pelas margens. Esta estrada melhora muito de eu ir sozinho nela. Eu ando por aqui desde pequeno. E sinto que ela bota sentido em mim. Eu acho que ela manja que eu fui para a escola e estou voltando agora para revê-la. Ela não têm indiferença pelo meu passado. Eu sinto que ela me reconhece agora, tantos anos depois. Eu sinto que ela melhora de eu ir sozinho sobre seu corpo. De minha parte eu achei ela bem acabadinha. Sobre suas pedras agora raramente um cavalo passeia. E quando vem um, ela o segura com carinho. Eu sinto mesmo hoje que a estrada é carente de pessoas e de bichos. Emas passavam sempre por ela esvoaçantes. Bando de caititus a atravessavam para ver o rio do outro lado. Eu estou imaginando que a estrada pensa que eu também sou como ela: uma coisa bem esquecida. Pode ser. Nem cachorro passa mais por nós. Mas eu ensino para ela como se deve comportar na solidão. Eu falo: deixe deixe meu amor, tudo vai acabar. Numa boa: a gente vai desaparecendo igual quando Carlitos vai desaparecendo no fim da estrada... Deixe, deixe, meu amor."
Manoel de Barros, n'um caso de amor'
do livro Memórias inventadas
Esta que eu ando nela agora é por abandono. Chega que os espinheiros a estão abafando pelas margens. Esta estrada melhora muito de eu ir sozinho nela. Eu ando por aqui desde pequeno. E sinto que ela bota sentido em mim. Eu acho que ela manja que eu fui para a escola e estou voltando agora para revê-la. Ela não têm indiferença pelo meu passado. Eu sinto que ela me reconhece agora, tantos anos depois. Eu sinto que ela melhora de eu ir sozinho sobre seu corpo. De minha parte eu achei ela bem acabadinha. Sobre suas pedras agora raramente um cavalo passeia. E quando vem um, ela o segura com carinho. Eu sinto mesmo hoje que a estrada é carente de pessoas e de bichos. Emas passavam sempre por ela esvoaçantes. Bando de caititus a atravessavam para ver o rio do outro lado. Eu estou imaginando que a estrada pensa que eu também sou como ela: uma coisa bem esquecida. Pode ser. Nem cachorro passa mais por nós. Mas eu ensino para ela como se deve comportar na solidão. Eu falo: deixe deixe meu amor, tudo vai acabar. Numa boa: a gente vai desaparecendo igual quando Carlitos vai desaparecendo no fim da estrada... Deixe, deixe, meu amor."
Manoel de Barros, n'um caso de amor'
do livro Memórias inventadas
20.7.09
a lua tá se afastando da terra
uma polegada e meia por ano
:(
puxa... e juro que acabei de receber esta notícia, no national geographic -influência lunar(programa muito bom, por sinal). uma comemoração aos 40 anos da chegada do homem à lua.
antes fosse poético - apenas.
:(
uma polegada e meia por ano
:(
puxa... e juro que acabei de receber esta notícia, no national geographic -influência lunar(programa muito bom, por sinal). uma comemoração aos 40 anos da chegada do homem à lua.
antes fosse poético - apenas.
:(
16.7.09
15.7.09
Dom de se iludir
Nina Lemos (02 neurônio)
“Não, ele não respondeu”, falava a menina pelo telefone. Sim, ela estava em outra casa, mas eu ouvi o diálogo porque ela falava muito alto. E também, claro, porque eu adoro escutar conversas dos outros, não nego. A amiga do outro lado do telefone (como eu sei que era amiga? Que homem participaria de um diálogo desses?) deve ter falado: “que filho da puta”.
Sim, ele não tinha respondido um e-mail. E com certeza ele era um pretendente. Sorri. Até que escutei a teoria da moça: “eu acho ótimo que ele não tenha respondido. Isso é um bom sinal! Ruim mesmo seria se ele me respondesse me dando um fora!”
Atenção para a maravilha desse pensamento feminino: alguém não responder a um email é uma coisa BOA. Ser ignorada é melhor do que levar um bom fora. Sim, Freud já ensinou, o contrário do amor é a INDIFERENÇA. Não o ódio. Tem indiferença maior do que não responder a um email? Mas a vizinha carioca achou que isso era uma coisa boa. E eu simpatizei imensamente com ela. Realmente, quando a gente quer, é capaz de acreditar em qualquer coisa. Ou não. Talvez eu tenha perdido essa capacidade com os anos. Pior para mim.
diretamente doblogdadri
Nina Lemos (02 neurônio)
“Não, ele não respondeu”, falava a menina pelo telefone. Sim, ela estava em outra casa, mas eu ouvi o diálogo porque ela falava muito alto. E também, claro, porque eu adoro escutar conversas dos outros, não nego. A amiga do outro lado do telefone (como eu sei que era amiga? Que homem participaria de um diálogo desses?) deve ter falado: “que filho da puta”.
Sim, ele não tinha respondido um e-mail. E com certeza ele era um pretendente. Sorri. Até que escutei a teoria da moça: “eu acho ótimo que ele não tenha respondido. Isso é um bom sinal! Ruim mesmo seria se ele me respondesse me dando um fora!”
Atenção para a maravilha desse pensamento feminino: alguém não responder a um email é uma coisa BOA. Ser ignorada é melhor do que levar um bom fora. Sim, Freud já ensinou, o contrário do amor é a INDIFERENÇA. Não o ódio. Tem indiferença maior do que não responder a um email? Mas a vizinha carioca achou que isso era uma coisa boa. E eu simpatizei imensamente com ela. Realmente, quando a gente quer, é capaz de acreditar em qualquer coisa. Ou não. Talvez eu tenha perdido essa capacidade com os anos. Pior para mim.
diretamente doblogdadri
13.7.09
Lá no blog da dri estava escrita esta frase do Xico Sá:
"Amigo, no tempo em que os homens lambiam selos, sabiam adular também as moças de um jeito mais bonito e delicado, se é que você me entende."...
e como outro dia na ouvidor não resisti a comprar um livro que trazia 50 cartas de amor 'de todos os tempos' - anunciava o título -, resolvi ir colhendo trechos.
Pra me dar conta do que profetiza xico sá, que a gente entende. mas sabe?
"28 de março de 1820
tu me pedes algumas palavras, Adélia, e que queres que eu te diga que já não te tenha dito mil e uma vezes? Queres tu que eu te repita que eu te amo? Mas as expressões me faltam... Dizer-te que te amo mais que a vida não seria te dizer grande coisa, pois tu sabes que não sou louco pela vida.
(...)
1821
A certeza de ser amado por ti me tirou violentamente de minha longa apatia. Estou quase feliz. Procuro expressões para te explicar minha felicidade, a ti que é a causa dela, e não as posso encontrar. Entretanto, tenho necessidade de te escrever.
(...)
Aliás, sou teu marido e tu não podes ter escruoulos ao se corresponder com teu marido."
de vitor hugo a adélia
"Amigo, no tempo em que os homens lambiam selos, sabiam adular também as moças de um jeito mais bonito e delicado, se é que você me entende."...
e como outro dia na ouvidor não resisti a comprar um livro que trazia 50 cartas de amor 'de todos os tempos' - anunciava o título -, resolvi ir colhendo trechos.
Pra me dar conta do que profetiza xico sá, que a gente entende. mas sabe?
"28 de março de 1820
tu me pedes algumas palavras, Adélia, e que queres que eu te diga que já não te tenha dito mil e uma vezes? Queres tu que eu te repita que eu te amo? Mas as expressões me faltam... Dizer-te que te amo mais que a vida não seria te dizer grande coisa, pois tu sabes que não sou louco pela vida.
(...)
1821
A certeza de ser amado por ti me tirou violentamente de minha longa apatia. Estou quase feliz. Procuro expressões para te explicar minha felicidade, a ti que é a causa dela, e não as posso encontrar. Entretanto, tenho necessidade de te escrever.
(...)
Aliás, sou teu marido e tu não podes ter escruoulos ao se corresponder com teu marido."
de vitor hugo a adélia
6.7.09
"II
Este é tempo de divisas,
tempo de gente cortada.
De mãos viajando sem braços,
obscenos gestos avulsos.
Mudou-se a rua da infância.
E o vestido vermelho
vermelho
cobre a nudez do amor,
ao relento, no vale.
Símbolos obscuros se multiplicam.
Guerra, verdade, flores?
Dos laboratórios platônicos mobilizados
vem um sopro que cresta as faces
e dissipa, na praia, as palavras.
A escuridão estende-se mas não elimina
o sucedâneo da estrela nas mãos.
Certas partes de nós como brilham! São unhas,
anéis, pérolas, cigarros, lanternas,
são partes mais íntimas,
a pulsação, o ofego,
e o ar da noite é o estritamente necessário
para continuar, e continuamos"
Drummond
Drummond me faz chorar. Desta vez foi implacável.
Ana, amiga querida que tá de mudança me enviou há pouco esta poesia que eu não conhecia. Parece que o escrito tem perseguido a moça. ser perseguida por drummond é de um luxo que só pode ter como efeito o retorno à causa. É do reencontro que se trata.
... falando em choro, hoje escutei falar uma das pessoas que mais me agrada escutar. e ele é um juiz. da vara da infância e da juventude.
Além de dizer coisas do tipo 'cada caso aponta sua propria solução', fazer questões como 'então o pai vai ter que recorrer ao juiz para ter seu filho em casa as 22h? estamos em uma crise de autoridade extrema'; fazer perguntas do tipo 'que efeito social a intervenção socioeducativa produz?' , além disso ele ainda disse que já houve casos que ele recebeu em audiência que o fizeram chorar.
Chorar uma lagrima calada.
:)
Este é tempo de divisas,
tempo de gente cortada.
De mãos viajando sem braços,
obscenos gestos avulsos.
Mudou-se a rua da infância.
E o vestido vermelho
vermelho
cobre a nudez do amor,
ao relento, no vale.
Símbolos obscuros se multiplicam.
Guerra, verdade, flores?
Dos laboratórios platônicos mobilizados
vem um sopro que cresta as faces
e dissipa, na praia, as palavras.
A escuridão estende-se mas não elimina
o sucedâneo da estrela nas mãos.
Certas partes de nós como brilham! São unhas,
anéis, pérolas, cigarros, lanternas,
são partes mais íntimas,
a pulsação, o ofego,
e o ar da noite é o estritamente necessário
para continuar, e continuamos"
Drummond
Drummond me faz chorar. Desta vez foi implacável.
Ana, amiga querida que tá de mudança me enviou há pouco esta poesia que eu não conhecia. Parece que o escrito tem perseguido a moça. ser perseguida por drummond é de um luxo que só pode ter como efeito o retorno à causa. É do reencontro que se trata.
... falando em choro, hoje escutei falar uma das pessoas que mais me agrada escutar. e ele é um juiz. da vara da infância e da juventude.
Além de dizer coisas do tipo 'cada caso aponta sua propria solução', fazer questões como 'então o pai vai ter que recorrer ao juiz para ter seu filho em casa as 22h? estamos em uma crise de autoridade extrema'; fazer perguntas do tipo 'que efeito social a intervenção socioeducativa produz?' , além disso ele ainda disse que já houve casos que ele recebeu em audiência que o fizeram chorar.
Chorar uma lagrima calada.
:)
5.7.09
" (...) Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se fechar os olhos
Ao abri-los ela não estará mais presente
Com seu sorriso e suas tramas.
Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente
e nos fazer beber o fel da dúvida.
Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável"
vinicius de moraes - em sua 'receita de mulher'
Ao abri-los ela não estará mais presente
Com seu sorriso e suas tramas.
Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente
e nos fazer beber o fel da dúvida.
Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável"
vinicius de moraes - em sua 'receita de mulher'
3.7.09
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